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02/04/2017

Um caso diferente de todos os outros




Era apenas mais uma noite qualquer, um barzinho qualquer, com pessoas comuns, com conversas decoradas e com papo fiado de quem muito fala e pouco faz. Era apenas eu sentada na mesma mesa de sempre, com a mesma bebida de todos os dias, com meus fones de ouvido e com a mesma invisível vontade de me socializar. Era apenas o mesmo cara sentado na mesa do fundo, lendo um livro velho e repetidamente voltando a mesma página, abaixando a cabeça e deixando uma lágrima descer.

Era tudo do mesmo jeito que sempre foi, era tudo igual, normal, banal. Era o mesmo dia em dias diferentes. Era exatamente o típico sábado à noite em que você sai de casa com a esperança de algo diferente vai acontecer, mas afirmando para si mesmo que coisas diferentes nunca eram para você.

Só que o padrão deixou de ser, quando um homem diferente de outros, com outro corpo, sorriso e brilho entrou no mesmo bar de sempre. Foi diferente por que esse homem ainda sem nome, entrou discreto, calado, fechado e sentou-se na mesa diante da minha. Me encarando com um sorriso vergonhoso, mexendo no cabelo e arqueando a sobrancelha querendo me desvendar. Foi diferente por que eu não tive medo de encarar de volta e de olhar pra porta e me sentir sem vontade nenhuma de me levantar e sair. Foi diferente por que diferente de todos os outros que eu teimava cruzar o olhar, eu não queria ir, eu queria ficar.

Foi bem melhor, autêntico e cheio de cor, por que esse homem não mandou ninguém dizer, ele mesmo veio e disse. Disse com gestos, que se não era incômodo ele puxar a cadeira que sobrava na minha mesa para ele apenas, sentar. Como quem não quer nada ele foi me mostrando que sabia falar de tudo, falar muito, ele sabia se expressar. Me contou sobre suas coisas favoritas e suas esquisitices, e eu mesmo sem perceber estava mais a vontade que de costume com qualquer outro alguém e, fui me confessando também.

Foi diferente, por que eu nem perdi tempo olhando no relógio para saber quanto tempo tinha que estávamos gastando nosso tempo um com o outro. Foi bem mais gostoso por que eu nem tive tempo de achar estranho a forma como ele mexia com a manga da blusa, num ato nervoso, ao me escutar dizer coisas que ninguém nunca quis saber. Não sei se ele queria manter-se ligado a tal ponto de não perder nem sequer as vírgulas contidas nas histórias que eu contei. Foi diferente, foi melhor, intenso e com bem mais jeito de ser algo duradouro, diferente de todas as outras histórias inventadas na minha cabeça que eu protagonizei.

Foi diferente do Guilherme, do Pedro, do Felipe, do José e do Miguel. Foi diferentes de todos os outros amores que eu vivi e não amei. Foi mais especial do que os amores que eu amei e não vivi. Parecia que pela primeira vez, eu fui sem roteiro, desgovernada e sem sede alguma de fazer dar certo. E foi por isso que começou a ser, logo no momento em que eu pensei que não era para ser.

Por que a vida é assim, o que era, nunca é mais. E o que é diferente sempre pode ser de novo. Mesmo que com outro rosto, sorriso e coração. Você sempre pode amar de novo e ficar à vontade em contar pro povo que você amoleceu novamente aquele coração, que da última vez você disse que não deixaria amolecer.

Por que com ele foi diferente. Eu senti mesmo sem sentir, que era ele, aquele ser, que eu em algum momento da minha vida pensei:é o alguém certo pra mim.

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Fiquem com Deus e... até mais!

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