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04/05/2016

O que fazes aí, mulher?



Mulher de pose desleixada e de bom coração, o que tanto procuras em meio a essas páginas escritas e esse dia frio? Deveria estar em casa aconchegada e quentinha mas prefere estar ao relento, sentindo o vento frio bater em sua pele e se contorcer mais uma vez puxando o leve tecido que usa para cobrir-se. O que tanto te incomoda na solidão que te faz querer ficar perto de pessoas estranhas apenas, para não ficar sozinha? Tem tanto aí dentro desse peito que quer - e prefere -  ocultar o que tanto gritas em ti, com murmúrios de outras pessoas que nem sempre dizem coisas doces? Se tem medo, tem de que em específico?

Prefere deitar-se em seu braço em um velho e sujo banco, ao invés de repousar seu cansaço por cima de um novo e cheiroso lençol. Trocara o conforto e o bom perfume por um espaço em um lugar público, simplesmente porque queria ver gente diferente daquelas pessoas que é acostumada a ver todos os dias, sim, aquelas com as mesmas ideias e conselhos fracassados de quem não conseguiu o bem fazendo o que tanto ditava ser certo. És tão nova mas ao mesmo tempo tão cansada dos velhos conceitos de que se não deu certo com esse grita o próximo da fila, que é nova demais para sofrer por isso que chama de amor. O sentimento é dela, a escolha por qual nome chamar também. Só queria que respeitassem a forma como ela amou sem se preocupar se iria algum dia acabar, o jeito, que foi corajosa em amar na intensidade que nenhum deles havia sido capaz. Nessa época, ela não tinha medo. Não havia o quê pestanejar.

Vejo essa mulher diariamente sentada nesse mesmo lugar, com esse mesmo livro e revirando as mesmas específicas páginas, vivendo todos os dias as mesmas emoções, chorando sempre no mesmo ponto da história e fielmente sorrir ao fechá-lo e pressioná-lo contra o peito, como quem aconchega a cabeça de quem ama bem pertinho de onde fica o coração. Não sei se ela guarda alguma lembrança que desperta tais tipos de reações ou se apenas gosta de encontrar na história alheia um conforto para viver a sua.

Certo dia, após vir todos os dias ao mesmo local, no mesmo horário decidi saciar minha curiosidade criando coragem de me aproximar e perguntar o porquê era tão comum vê-la ali. Ela toda sorridente não me mandou sair da sua frente e ir cuidar da minha vida como pensei que fosse fazer. Pegou em minha mão e com muita verdade começou a dizer:

- Foi aqui que eu o conheci, foi aqui que ele me pediu em namoro e foi aqui que ele prometeu me amar por além da vida e me deu esse livro. E eu, fiz a mesma promessa e só estou a cumprir como quem honra o que diz, e melhor, como quem ainda ama a pessoa a qual prometeu. Creio que onde quer que ele esteja continua me amando com a mesma intensidade que eu o amo.

- E já faz quanto tempo que ele partiu? – questionei com a voz embargada e um pouco surpreso com o que acabara de ouvir.

- Já fazem alguns anos, mas ainda o sinto aqui, presente e sorrindo pra mim. Deve achar loucura, mas não é. Sei que algum dia devo encontrar alguém para dividir a vida mas isso não matará o amor que  um dia senti por ele. Algumas pessoas eternizam mesmo que com pouco tempo de convívio e continuam a existir mesmo depois de não existirem mais. E você, se ama alguém, faça-a pessoa mais feliz que puder no tempo que tiverem para viver.

Tal mulher, apenas revivia aquilo que algum dia a marcara como uma tatuagem. Ainda passo pelo mesmo lugar e a vejo sentada nesse velho e sujo banco, mas agora sabendo que algum dia vai chegar alguém disposto a cuidar daquele coração tão puro para amar.

E eu que vinha ao mesmo lugar todos os dias, no mesmo horário para lamentar o término e alimentar meu orgulho em pedir desculpas, decidi naquele dia que sairia dali disposto a mudar essa atitude. Ainda tenho o privilégio de ter meu amor comigo e não vou cometer a burrice de perder o tempo que temos com besteira.

Mal sabia tal mulher, que me deixara uma lição valiosa para vida quais palavras nunca vou esquecer:

“Temos todo o tempo do mundo para sermos felizes, porém, será maior e mais intenso o tempo que gastaremos lamentando o que não aconteceu.”

Querido ouvinte dessa história, deixarei você com um questionamento: preferes viver ou lamentar?

Que sua escolha seja a primeira e que viva da forma mais verdadeira e intensa que puder.

 Deixem seus comentários.

Fiquem com Deus e até mais!

4 comentários:

  1. Que texto mais lindo, amei.
    Beijoos. ❤
    www.amordeluaazul.com.br

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    Respostas
    1. Oi Letícia!

      Fico muito feliz que tenha gostado. Muito obrigada pela visita.

      Beijos!

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  2. Texto muito lindo amei de verdade

    ResponderExcluir

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